Se Benjamin Franklin estava certo ao dizer que da morte e dos impostos ninguém escapa, hoje a frase poderia ganhar um novo parceiro: nada é mais certo nesse mundo que a morte, os impostos, e as mídias sociais. É pelo ambiente digital que a vida passa. E já que o texto começou parafraseando, se o que não está nos autos não está no mundo, o que não está na rede, não está no mundo. Vida tem quem interage digitalmente. E isso vale para mim, para você e, muito mais, para as empresas.

Quando o pesquisador em comunicação Marshal McLuhan, em 1967, trouxe ao mundo o conceito de Aldeia Global, numa visão absolutamente futurista, como é típica dos grandes homens, certamente ele não sabia o quanto estaria atual e absolutamente reflexivo mais de meio século depois. E quando se vê a profusão de profissionais de marketing, comunicação, buscando entender como se dá o compartilhamento nas mídias sociais, novas e consolidadas, nada me parece tão contemporâneo, tão updated do que a clássica sentença O meio é a mensagem.

Mc Luhan, ao analisar os impactos que o novo meio traria (e à época pensava-se em computadores e televisão) para as pessoas, para a educação, certamente pensou o que essa Aldeia Global impactaria no contexto corporativo e na relação dos consumidores com as marcas. O que talvez ele não tivesse sequer imaginado era como se daria o comportamento do consumidor, do aço à moda, nessas media; e, tampouco, como eles reagiriam a cada mensagem, o quanto cada publicação traria de envolvimento, o quanto a internet seria um hot media, capaz de suscitar paixões.

Se a velocidade da mudança – e aqui escreve uma jornalista e pesquisadora que nasceu e adolesceu analógica para se digitalizar ao ingressar na vida adulta, o que certamente é um privilégio – nos deixa atônitos, o que dirá nossos assessorados, empresários e empreendedores. Facebook, Instagram, Linkedin, Whatsapp, YouTube, Twitter, sites, perfis, interatividade, e-commerce, chatbot, gamefication, addwords, elevator pitch, tudo para aqui e agora, ao alcance de um deslizar na tela.

Ao compor a teia social do existir, as redes são o palco das nossas vidas. É nelas e por elas que nos apresentamos e nos vendemos como seres que atuam, pensam, agem. Os meios, na visão de Mc Luhan, transformam a maneira da sociedade viver. E entendemos por meio qualquer mecanismo que nos leve de um lugar ao outro – o trem, a eletricidade, a internet. O teórico canadense foi tão perspicaz, tão à frente ao definir que os meios seriam extensão do nosso sistema nervoso, que é como se ele estivesse nos vendo, cabeças baixas, fixados nas telas de nossos mobile, rindo, chorando, xingando.

Nesse grande meio multimídia, omnichannel, mais do que pessoas e marcas, somos personas, que agem de acordo com o que se espera. E aqui cabe aliar outro conceito, o do panopticum de Michel Foucault, de 1975, em Vigiar e Punir. Nas redes somos o tempo todo expostos e vigiados por olhos sagazes. Se antes, trocávamos de meios de confinamento, pulando da família para a escola, dessa para o exército, dele para o emprego, e assim sucessivamente, hoje negócios e indivíduos nascem digitalizados, sujeitos “voluntários” (!) ao olhar de fãs e de inimigos, de críticas e de elogios, tão instantâneos, tão líquidos, tão à deriva do humor de quem é impactado.

Entender essa exposição, definitivamente necessária, compreender como se dá a relação das marcas com seus públicos, e dos públicos entre si, se torna ainda mais vital para a perenidade dos negócios. Da morte e dos impostos ninguém foge. Das redes sociais – das curtidas, dos comentários, dos emoticons e dos compartilhamentos também não. 😉

Artigo publicado originalmente no Linkedin, em agosto de 2018.

Fonte: http://www.danigoulart.com.br/index.php/2018/10/21/morte-impostos-e-midias-sociais/